Dom Hélder Câmara, com a lucidez pastoral que lhe era própria, lançou uma provocação que atravessa o tempo e permanece atual: ele confessava não saber o que pesaria mais diante de Deus — se os excessos cometidos por foliões no carnaval ou o farisaísmo e a falta de caridade de quem se julga mais santo por não participar da festa. Ao concluir que o carnaval é, antes de tudo, alegria popular, Dom Hélder desloca o debate do moralismo superficial para o terreno mais profundo da co